Para os que ainda não sabem, passei os últimos dois anos no estado da Califórnia, USA, terra de grandes parques nacionais americanos e um dos pioneiros em conservação ambiental no mundo. Um dos motivos de que mais me orgulhava, com relação à conservação no Brasil, e a existência das RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e o quanto estas unidades contribuem para a preservação dos nossos ecossistemas.
Mesmo ao falar com pessoas experientes e que atuam em parques a um longo tempo, estas se mostraram surpresas e interessadas no conceito de reservas privadas. Um comentário de um grande amigo que trabalha para um Parque Estadual do norte da Califórnia reflete bem minha excitação com o crescimento do número de RPPNs no pais, principalmente no estado de São Paulo….” Legal, agora vocês terão muito mais acesso a áreas naturais para recreação!!”… Porem, para minha surpresa, ao voltar de minhas andanças por fora do Brasil, quando procurei me informar sobre as condições de visitação a RPPNs no Brasil, principalmente em São Paulo, descobri que muito pouco fora feito para dar acesso as áreas preservadas, com exceção feita a unidades como a Encantos da Jureia, que apesar de aberta ao público só recebe visitantes aos fins de semana e com reservas. Ao pesquisar por RPPNs no site http://www.reservasparticulares.org.br , apareceram apenas 21 unidades abertas ao publico e com existência de trilhas para caminhada, e apenas uma no estado de SP.
Tenho plena consciência de que RPPNs tem outras funções, mais importantes do que a visitação pública, como preservação de ecossistemas, formação de corredores ecológicos, fomento a pesquisa científica, apoio a comunidades locais e etc… mas como um amante da natureza e testemunha dos benefícios que o contato do cidadão comum com a terra em que vive e suas belezas, tenho que chamar a atenção de todos a esta carência no Brasil. Lutemos para condições melhores de visitação em nossas áreas de preservação.